quinta, 15/11/2018

A noite que vai durar 4 anos

Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

O candidato do campo democrático foi derrotado. Sai vencedor aquele que promete o entreguismo, a retirada de direitos históricos da classe trabalhadora, apoiado pelos setores mais atrasados da nossa sociedade e que vem construindo sua candidatura há (pelo menos) 4 anos.

Penso que não nos cabe, nesse momento, imputar erros de quaisquer setores políticos organizados que sejam. Afinal, a construção do lastro social conservador vem se dando há anos, seja através do neopentecostalismo (metástase dos nossos dias) ou pelo impulsionamento midiático-empresarial oferecido nos últimos tempos a Jair e toda sua política racionária. No limite, os erros foram muito mais de opção política feita por abandonar o trabalho organizado nos bairros, comunidades e locais de trabalho do que a tática elencada para esse processo eleitoral. Ou seja, viemos errando há muito tempo.

Certamente essa campanha fica marcada como aquela em que tivemos menos debate político, confronto de ideias, demarcação de projetos políticos distintos e também aquela em que mais tivemos notícias de agressões físicas, e até mesmo assassinatos, ataques infundados, difusão em massa de calúnias contra candidatos do campo progressista e participação ativa do judiciário na perseguição aos democratas e as instituições independentes e com reconhecida capacidade de construção crítica de pensamento e debate.

O que está em jogo agora é organizarmos a resistência democrática em defesa dos direitos trabalhistas, do direito a organização política e sindical, pelo direito a uma vida plena de direitos na aposentadoria e do direito de (r)existir da população periférica. Trump, com sua política de pilhagem, já se mostra disposto a colaborar com o fascista. O presidente do Bradesco (27º maior banco do mundo), já emitiu declarações animadas em defesa da contrarreforma da previdência. Em Niterói, região metropolitana do Rio, militares do exército passaram pelo local da comemoração bolsonariana e foram aplaudidos pela população presente, como em 1964.

Precisamos organizar desde já os comitês em defesa da democracia, nos bairros e locais de estudo e trabalho, com os mais amplos setores da sociedade. Construir manifestos em defesa das liberdades democráticas que se materializem em políticas unitárias, seja no plano político, estudantil ou sindical. As iniciativas de irmos às praças públicas conversar com a população nos mostra que tem muito espaço pro debate e pra construção coletiva.

A renovação vem se dando com alternativas cada vez mais reacionárias. A política de “fora PT” tem sido colocada em marcha ao custo de figuras com pouco apreço a valores democráticos serem alçadas a postos importantes na política nacionaWhatsApp Image 2018 10 29 at 17.00.44l. Na primeira volta dessa eleição foi no congresso e nas casas legislativas estaduais. Agora no 2º turno foi no governo federal e em alguns governos estaduais, com destaque para o RJ, SP e MG.

Vamos fazer o que sempre fizemos. Começar tudo de novo. Com muita alegria, cumplicidade, amor, esperança, livros e poesias.


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