Que tempos são esses de contradições?
Nestes dias sombrios de reformas trabalhistas e previdenciária. Tempos de fortes ataques à classe trabalhadora e suas organizações sindicais, por parte do governo Bolsonaro e sua agenda neoliberal de favorecimento aos interesses do patronato burguês.
Tempos de ataques e retirada dos poucos direitos que sobraram, após a nefasta reforma trabalhista do governo Temer, sendo que o atual governo através do seu ministro da economia Paulo Guedes e da sua base aliada no Congresso, está fazendo uma reforma por dentro da reforma trabalhista , aquilo que já era ruim, agora pode ficar pior.
Infelizmente para a nossa categoria de trabalhadores sindicatários esses ataques tem sido praticados por parte daqueles que em nosso entendimento deveriam proteger e serem exemplos. Mas, infelizmente, certos dirigentes sindicais, sem generalizar o movimento sindical como um todo, até porque sabemos que existem diferenças entre os verdadeiros sindicalistas que são compromissados com a luta classista de todos os trabalhadores, independente das suas categorias, para os falsos dirigentes sindicais que são meros aproveitadores e pelegos da velha e conhecida burocracia sindical.
Com o fim do imposto sindical, muitos sindicatos viram a diminuição das suas receitas caírem consideravelmente, e com isso muitas direções sindicais optaram em demitir os seus empregados como uma forma de prolongar um pouco mais o tempo de sobrevida de suas entidades sindicais.
Muitas dessas entidades sindicais como os seus representantes nunca se prepararam ou pensaram que um dia o imposto sindical iria acabar, e que teriam que buscar novas formas e estratégias de auto gestão de seus sindicatos – como por exemplo campanhas de novas filiações nas suas bases, como cortar despesas com pró-labores e jetom de diretores como se rever os gastos desnecessários com altos valores de contas de aparelhos celulares, passagens aéreas e hospedagem em hotéis de luxos de seus dirigentes sindicais.
A primeira medida de muitos sindicatos foi de reproduzir como aplicar junto ao seu quadro de empregados as mesmas maldades e ataques dos governos neoliberal e do patronato burguês brasileiro.
Observamos que os discursos de muitos dirigentes sindicais mudou nesses tempos de contradições. Sindicalistas que algum tempo atrás eram contra a reforma trabalhista, contra implantação de PDVs, demissão de dirigentes sindicais, retiradas de direitos nos acordos coletivos, hoje estão aplicando estes mesmos ataques e maldades que suas categorias sofreram por parte dos seus patrões, agora reproduzem essas práticas desumanas com a nossa categoria dos trabalhadores sindicatários sem o menor remorso ou vergonha possível.
Outra contradição que tem aumentado são os ataques ao nosso livre direito de nos organizarmos como categoria e ter o nosso sindicato atuando em defesa dos nossos direitos. Para algumas direções sindicais somente os seus representantes podem gozar de liberação sindical como se o artigo da CLT que garante a estabilidade sindical fosse um privilégio conquistado apenas para a representação sindical da categoria deles.
Quando sabemos que o direito de se organizar como sindicato de classe trabalhadora e ter direito a liberação sindical, foi conquistado por muita luta classista e o sangue dos nossos companheiros do passado no enfrentamento aos governos do nosso País, como contra as representações patronais, e não é algo totalmente exclusivo de uma certa categoria e dos seus representantes sindicais somente como querem nos fazer acreditar.
Por isso, vamos continuar a nossa luta, resistência e denunciando essas vergonhosas práticas antisindicais das burocracias sindicais e de seus representantes que na correlação de forças da luta de classes, insistem em nos atacar com demissões em massa da nossas categoria sindicatária como também reproduzindo o assédio moral no ambiente de trabalho de muitos sindicatos, adoecendo nossos companheiros sindicatários com stress, síndrome do pânico e perseguições políticas.
Temos a clareza a cada dia que se passa, que nestes tempos de contradições sindicais tem sido muito importante para fazer as máscaras de muitos ditos representantes sindicais e seus sindicatos como de suas centrais sindicais caírem e serem revelados de que lado realmente estão na história da luta de classes, e quem realmente eles estão servindo e representando no movimento sindical brasileiro.
Autor: Marcos Aurélio G Ribeiro - (dirigente sindical, Professor de História contemporânea, com especialização em História do Brasil, mestrado em História social pela UFRJ e pesquisador do laboratório de Estudos de História dos mundos do Trabalho -EHM)